(11) A Tartaruga e A Arvore Regressam Ao Tempo Do Sonho

(11) A Tartaruga E A Arvore Regressam Ao Tempo Do Sonho
A bisavó Galáxia recorda: depois da árvore e da tartaruga terem estabelecido a sua amizade eterna, multiplicaram-se e espalharam suas espécies por toda a biosfera Terrestre.

A Árvore pediu ao vento para soprar as suas sementes por toda a parte. As sementes cruzaram o oceano e a montanha, criando a raiz no solo e nas rochas. Através de sua tranquila consciência, a árvore adaptou-se aos diferentes climas. Do sonho de semente, e com o tempo, a árvore desenvolveu-se em diferentes tipos de árvores: árvores que derramam folhas, árvores com grandes folhas de palmeira, árvores que cada treze luas amadurecem com maravilhosas frutas suculentas.

A tartaruga também se espalhou na biosfera da Terra. A tartaruga navegou em profundidade, assim como, pelas correntes e rios da terra. Em todos os lugares a tartaruga nadou ou rastejou e se adaptou. Algumas tartarugas desenvolveram barbatanas. Algumas mais pequenas fizeram as suas longas vidas sobre as rochas cobertas de musgo e nas águas frescas da montanha. Outras tornaram-se gigantes e aqueceram a sua sabedoria do tempo nas distantes ilhas desertas.

Um dia, quando já era muito velhinha, a grande e original bisavó tartaruga veio visitar a original bisavó árvore. Era hora da tartaruga retornar para o tempo do sonho. A tartaruga tinha um desejo: estar bem perto da bisavó árvore quando deixasse a sua grande concha e voltasse para o tempo do sonho.

Quando a tartaruga finalmente chegou ao lugar onde, há muito tempo atrás, ela e a árvore tinham chegado a um entendimento, ficou impressionada.

A bisavó árvore, agora estava cercada por um círculo de árvores.

Este círculo foi o centro de uma vasta floresta que se espalhou tanto quanto os olhos da tartaruga poderiam ver. A tartaruga olhou para cima através do jogo de luz e sombra na parte superior do círculo das árvores. Num borrifo de raios de luz, a tartaruga pensou que podia ver o Hunab Ku. Ela estava certa. Tinha chegado o momento de voltar para o tempo do sonho, de onde tinha vindo.

A Tartaruga entregou-se a um descanso no tronco retorcido da bisavó árvore. Fantásticos cogumelos cresceram como grandes escadas até o tronco do bisavó. Libélulas e cobras brincavam com vivacidade tranquila à sua volta na parte inferior da musgosa árvore.

A árvore falou: tartaruga, estou tão feliz por te ver. Também, me sinto agora cansada. Transmiti a minha mensagem para a última geração dos filhos da Terra e a todas as árvores do grande reino vegetal da biosfera. Agora é deles, para que se lembrem até ao final do tempo da Nova Era. Agora estou pronta para regressar ao tempo do sonho. Vamos juntas.

A tartaruga respondeu: Estou como tu, árvore. Também eu estou cansada. Transmiti tudo o que sabia acerca do tempo a todas as tartarugas do grande reino animal da biosfera. Minha sabedoria de tempo está vazia. Quero voltar para o tempo do sonho. Tu, também, deves deixar o teu vazio e voltar para o tempo do sonho.

A árvore ficou satisfeita com as palavras da tartaruga. Em gratidão para com ela, árvore decidiu dar um presente especial à tartaruga: uma lembrança da árvore. Árvore disse, tartaruga, sobe o mais alto que puderes no meu tronco. Certifica-te de que a parte inferior da concha descansa no meu tronco.

A Tartaruga arrastou o seu grande corpo e concha pelo tronco da árvore, até ao mais alto que pode subir. Ali, ela descansou e respirou fundo. Quando expirou, deixou de respirar. Nesse momento, uma coisa mágica aconteceu. No tronco da árvore, onde a tartaruga descansou, a árvore deixou uma simples memória dela. Ainda hoje em dia, verás o eixo do grande tronco da árvore correndo do centro à parte inferior da concha de qualquer tartaruga. Em ambos os lados desta memória do tronco da árvore, os ramos estendem-se até a borda da concha da tartaruga. Desta forma a árvore deixou uma lembrança para todas as tartarugas do dom da calma que faz valer a pena a tranquilidade, o equilíbrio.

Após o último suspiro da tartaruga, um grande vento surgiu, forte e feroz. Logo uma tempestade soprou descontroladamente, durante a noite sem lua. Antes que o próximo dia nascesse, um acidente gigantesco foi sentido em toda a primitiva e vasta floresta. A bisavó árvore juntou-se à tartaruga, no retorno ao tempo do sonho.

No bosque de árvores, a imóvel concha da tartaruga brilha salpicada pelo orvalho do amanhecer. Ao lado da tartaruga, o grande tronco de árvore estava silencioso. Novos cogumelos brotaram
ao longo do seu caído tronco. O seu grande sistema de raízes ainda bate noutras árvores. Mas com seu tronco quebrado, a bisavó árvore morreu.

No círculo de árvores, do tempo do sonho uma canção surgiu, uma canção da tartaruga e da árvore:


o corpo da tartaruga

a mente da árvore
mantendo o anel das treze luas
constante no corpo
firme na mente
vivendo no seu anel das treze luas

tartarugas marinhas do verde planeta
mantém a biosfera no caminho
mantendo seu corpo constante
Deixe o tempo mover a força da tartaruga

árvores do planeta azul
mantenham a biosfera
sejam a calma da sua mente
como a Terra se move com o tempo

 

Quando a canção se esvaneceu na brisa espumante, a Mãe Terra estava feliz. Enquanto as vozes do tempo do sonho se puderem ouvir no silêncio da floresta, então o tempo da biosfera será também cantado como uma canção. Mas se as vozes deixarem de ser ouvidas na silenciosa floresta ou profundidade do oceano, então a Mãe Terra saberá que o fim do começo da Nova Era está ao alcance da mão. A unidade de tempo está próxima.