(15) A Árvore Vai Para O Sol


Enquanto a tartaruga encontrou O seu lugar no mais cósmico dos alojamentos da lua a árvore foi para o sol. O sol para onde a árvore foi é o sol do tempo do sonho. Para a árvore, este sol apareceu como um alojamento do espírito gigantesco ardente. Era perfeitamente redondo e ardia por todo lado, distribuindo quentes ondas de fogo em todas as direções.

Ao princípio a árvore ficou assustada, pois o fogo é inimigo natural da madeira. Mas depois, a árvore lembrou-se que estava no seu corpo de sonho, e o fogo não a podia queimar.

O espírito da árvore entrou no alojamento do sol flamejante. No seu interior, havia uma grande caverna arredondada de fogo. No centro da caverna estava uma bola, branca e quente. Através do topo até ao fundo da bola, um eixo luminoso corria para cima e para baixo tão longe quanto a árvore o pudesse ver. Saindo desta mesma quente bola branca estavam quatro longos polos. Mas estes eram polos de fogo. Cada polo de fogo estava girando, movendo-se lentamente.

As extremidades de cada um destes polos de fogo irrompe numa chuva de fogo derretido. Cada uma destas quatro rajadas de chuva transformou-se em cinco rios de fogo. Rios de fogo, de quatro polos de fogo e um eixo luminoso para enfiar num núcleo central branco e quente.

A Árvore tremeu e perguntou-se o que era que ela estava vendo.

Enquanto ela pensava, uma profunda, ardente mas amiga voz falou tranquilizadoramente com ela. Eu sou o sol. O que estás vendo é o meu giroscópio do tempo solar. Através do meu giroscópio do tempo solar meu eixo mantém-me no Hunab Ku, tal como tu, nobre espírito da árvore. Ajudando Hunab Ku, os meus quatro membros giram em harmonia uns com os outros. Quatro membros eu tenho para manter meu manto do tempo solar no lugar. De cada um destes quatro membros cinco rios fluem, num total de 20 rios do tempo solar.

Estes 20 rios do tempo solar seguram meus planetas no seu tempo. E assim como tu, árvore, eu tenho meus anéis. Dez planetas seguram meus anéis. O planeta que sustentava o quinto anel quebrou, mas seus detritos mantém o som no lugar. Dez planetas para tocar meu som do tempo! 

20 são os rios do tempo solar, dez os planetas dos meus anéis. Eu alimento o tempo de cada planeta com dois dos meus 20 rios. Um rio é alimentado pelo tempo solar, o outro rio é alimentado pelo tempo galáctico. Dez anéis de tempo dos planetas, 20 rios do tempo galáctico solar.

E a árvore perguntou: o Tempo solar vem de ti, sol, mas o que é o tempo galáctico, donde vem?

O sol respondeu: Tempo galáctico é a minha noite. Também eu, experiencio um tempo de noite e um tempo de dia. Tal como a Terra, também eu tenho um manto exterior. Mas meu manto cobre uma grande esfera. O planeta mais afastado do meu giroscópio do tempo solar é o limite de minha esfera. O manto do meu limite exterior é minha heliosfera.

A minha heliosfera é como a carapaça da tartaruga. Só que a minha, é uma membrana do tempo galáctico.

Através do poder do meu eixo, toda a heliosfera gira lentamente em torno de outra estrela, a estrela mãe. Árvore, também eu, sou apenas uma criança. Quando minha heliosfera varre à volta do meu eixo, tenho um tempo de dia e noite muito longos. Treze mil anos Terrestres são o meu tempo da noite e treze mil Terrestres são meu tempo de dia.

Minha estrela mãe está mais perto de Hunab Ku, da bisavó galáxia que tu ou eu. Com o meu giroscópio percorro o meu tempo junto com o tempo da estrela mãe. Navegando com a estrela mãe a minha heliosfera recebe o tempo galáctico. Eu derramo este tempo galáctico em dez dos rios que alimentam os dez anéis planetários. Assim, cada planeta tem a sua parcela de tempo galáctico.

O Tempo galáctico é uma ajuda para o planeta através da sua lua ou luas. Estas luas são como o meu giroscópio de tempo e ajudam o planeta a manter-se no seu tempo. Desta forma, também, o lado do dia de cada planeta é para o tempo do sol, o lado da noite para o tempo galáctico.

A Árvore ficou muito impressionada e então disse: Em alguns aspectos, sol, eu sou como tu. Eu tenho um eixo resistente. Não tenho quatro membros, mas eu tenho raízes e galhos. E no interior do meu tronco, à volta do meu eixo, estão os meus anéis de tempo, assim como os teus anéis planetários, é muito curioso.

O Sol respondeu à árvore. Tu és muito sábia. Para ti são uma coisa de madeira. Eu sou uma coisa de fogo, um inimigo natural da madeira. Para ver em mim alguma espécie de semelhança é sinal de grande conhecimento. Serás recompensado. A recompensa é tornares-te um presente para a última geração das crianças da Terra, os herdeiros do fim da Nova Era.

A Árvore perguntou. O que queres dizer sol, eu não entendo?

A tua recompensa é que vais te tornar a árvore ardente da visão. Toda a vez que o propósito das crianças precise ser reforçado ou lembrado do seu grande papel na biosfera, aparecerás no tempo do sonho sob a forma de uma visão ardente: uma árvore, uma roda, um sinal de ardência. Desta forma, alguém em cada geração dos seres humanos terá a chave para o tempo.

A chave do tempo, mas o que é isso, sol? perguntou a árvore novamente.

A chave do tempo és tu, árvore. Tua forma no tempo é a chave; além de um eixo dentro dum tronco, uma mente que se ramifica no dia do tempo solar e raízes que, então, procuram a noite do tempo galáctico. Esta mente que procura saber as raízes do tempo vai conhecer meu poder de 20. 20 é o número de anos de uma geração humana. 20 é o número de dedos das mãos e dos pés
que a criança humana tem no final de seus quatro membros.

A mente da criança humana que sabe que vai ficar como tu, árvore, forte e nobre, e centrada. Mas a criança humana, sabendo o que sabe, também será capaz de contar. 20 é o ciclo natural. 20 são os dedos dos pés e das mãos do ser humano.

Árvore, mesmo que o ser humano aprenda a contar pelos seus dedos dos pés e das mãos, ele pode esquecer a quietude do espírito. Se ele perde a quietude da espírito, não importa quantos números
o ser humano pode contar. Espírito da árvore, agora coloco-te como o guardião do fogo, da quietude do espírito e a chave para conhecer o poder do tempo, minha sagrada contagem de 20.

Naquele momento, o espírito da árvore foi consumido por uma poderosa explosão quente e branca de fogo líquido, que explodiu em todas as direções. Agora, o espírito da árvore transformou-se. Um tronco ardente permaneceu firme no lugar. Por cima e por baixo saíram disparadas chamas como raízes e ramos ardentes. Em torno das raízes e ramos atravessando o centro do tronco rodas de fogo ardiam e cruzavam-se.

O espírito da árvore tornou-se a árvore de fogo da visão. O início do fim do Novo Começo, chegou.

No reino do radiante tempo do sonho, tão perto da Terra, viste dois lugares vazios aparecerem.

Estes eram os lugares da primeira tartaruga e da primeira árvore. Cada uma agora foi para outras aventuras.