13: Eu, o Velho Chac-Le, o último do meu grupo…

De Tulan A DistanteE começámos a contar os dias a partir da nossa descida, há já 8 baktunes(1). E o tempo passava e eu devia partir em busca daqueles que tinham chegado comigo, e que logo partiram em diferentes rumos. E escrevo isto à maneira dos homens nativos, na pele de animais e nas pedras de uma casa(2) extremamente bonita, para que não se destrua proximamente. E os que o devem encontrar não o encontrarão. E os que o devem compreender sem nenhuma dúvida, compreenderão.

E porque parto para longe digo aos homens nativos que algum dia que se celebre o meu nascimento(3), o calendário que já sabem escrever, conservar e comprovar, regressarei. E eu não tenho a certeza de que regresso. Oh, meu deus! Eu, o velho Chac-Le, irmão de Mo-Merotz, o cego, o cantor perdido do meu reino perdido; eu, o irmão de Zit-Harthap, o coração puro de bondade infinita; de Xezúh-Naz-Aretz, o da voz mais limpa e da língua mais clara, e da sabedoria mais profunda; e de Mha-Homatz; e de mais de 100 e de 200, já desfazendo-nos para sempre mas refazendo-nos de uma maneira nova na vontade e inteligência dos homens nativos melhores e mais bondosos deste mundo de hoje, de agora, de amanha.

De Tulán, A DistanteEu, o velho Chac-Le, o último do meu grupo, deixo à humanidade o meu testamento e nele a minha história. Mas, de todas as maneiras, regressarei; regressaremos, regressará para todos os homens nativos deste munda a verdadeira compreensão. E se fará como disse anteriormente; e teremos todos a sabedoria de saber não matar, e de que tudo seja a maneira de conhecer o que não conhecemos, que de todas as maneiras é muito; e construir, e respeitar o construído pelo homem para o bem estar do mesmo… e assim se terá de cumprir amanha.

(1) baktunes
Um baktún equivale a 20 katunes e 1 katún equivale a pouco mais de 19 anos, como já explicámos anteriormente, por isso 8 baktunes equivalem aproximadamente a 32 séculos, o que é igual a 3200 anos. (N. do T.)
(2) casa
Em Espita, a este de Yucatán, encontraram o velho Chac-Le, de 150 anos cujo filho mais novo tem 90. Chac-Le disse a Le Plongeon que um amigo seu, Alayón, barbeiro em Valladolid, morto à 40 anos, tinha um livro o qual só ele podia ler, e nesse livro dizia-se que num edifício em Chitchén-Itzá havia um escrito que anunciava que chegaria o dia em que por meio de um cordel as pessoas de Valladolid e Mérida se comumicariam, e que este cordel ficaria mais estreito com gente que não era do país. Efectivamente encontraram o alcabsib, escritura a correr, escritura violenta (…) Na esquina direita há zigzags, e daí sai uma linha branca que atravessando outros hieróglifos corre declinando-se até à orelha de uma cara grotesca. Valladolid está mais alto que Mérida.” (O que está sublinhado é nosso) Op. cit., p.106.
(3) nascimento
Segundo a lenda, Quetzalcoátl, a Serpente com Penas, prometeu antes de partir (para onde?) voltar um ano Uno Caña, segundo o calendário azteca. E “no dia 16 do sexto mês, Xul, que começava a 17 de Novembro (calendário gregoriano) celebra-se umas das festas mais importantes do ano maia, ou seja, a festa em honra do grande deus Kukulcán”, Op. cit., p.270