Stopping Time 06 Mind

Vamos dar uma olhadela à tua mente. Primeiro que tudo, achas mesmo que podes usar um relógio e achares que este não afecta a tua mente? Ou o calendário que está pendurado na tua parede – achas mesmo que isto não afecta a tua mente?

Tenta imaginar um mundo sem Fevereiro ou 25 de Abril ou 25 de Dezembro. Tu aceitas estas datas como verdades absolutas, mas sabes que elas não existem em parte nenhuma a não ser na mente – na tua mente? Uma árvore não conhece o 25 de Abril ou o 25 de Dezembro. Uma rocha então, ainda menos se preocupa com isso. Se fores a Neptuno, Abril não significaria nada. Mesmo assim, este tempo está tão incorporado na tua mente, na mente de todos, como se fizesse parte dela, que até já se lê nas revistas cientificas afirmações como esta: " No dia 24 de Setembro, 75,000,000 a.C. no Jurássico, um pterodáctil aterrou num pântano para ser atacado por um tiranossauros assassino..." Achas mesmo que o dia 24 de Setembro existiu ou foi feita a contagem para chegar aí?

Isto é somente para te mostrar como este calendário pode ser tão insidioso, traiçoeiro, e como se tornou uma parte tão importante na tua mente, que levou realmente as pessoas a pensar que faz parte do universo. O incrível, é que, a maioria das pessoas nem sabe que este calendário só existe, "só circula por aí" à 400 anos. Se contares, 2000 é antecessor, o Juliano. Mas sabes o que é 2000 anos para a história da terra que tem mais que 4 biliões de anos?

Podes até pensar: e então?

Sabes o que a tua mente é? Não achas que a tua mente merece o mesmo tratamento que a tua alma? Já te perguntaste da quantidade de coisas que pões na tua cabeça sem nunca sequer questioná-las? É o mesmo que teres uma casa e simplesmente uns estranhos entrarem pela tua casa, andarem de um lado para o outro a mexerem em tudo o que é teu, usando tudo o que é teu, sem sequer pensar se estás lá ou não, como é que te sentirias? Ou simplesmente aceitarias a sua presença sem sequer perguntar de onde eles eram?

É assim que acontece com a tua mente quando aceitas coisas sem perguntares o porquê. É-te dada a informação e cegamente aceitas. Isto chama-se dogma. E tu pensas que não importa, mas importa sim. É como os estranhos que entraram pela tua casa e agora não querem sair. Para te livrares deles tens que fazer um esforço, gritar com eles e até empurrá-los para fora da tua casa.

Existem duas razões porque o dogma é mau para a tua mente. Primeiro que tudo, só pelo simples facto de estar na tua mente, tira-te espaço mental e não deixa pensamentos novos acontecerem. Esse pequeno dogma pode ser um impedimento de abrir a porta, e não vais mais poder abrir essa porta, para a tua mente. Essa informação aceitada está a ocupar um espaço muito importante – e nem sequer sabes disso.

E depois há o conteúdo do dogma. Pode ser como um tipo de veneno mental. Quer tu saibas ou não se é verdade ou mentira, ou talvez é alguma coisa arbitrária, ainda assim tu aceitas como real, acreditando que é verdade. E quando alguma coisa vem questionar isso ou incomoda-te, podes até chegar a defender este mesmo dogma.

E quando alguma da informação que aceitaste como realidade em "segunda mão", estiver errónea? Mesmo assim aceitas como se fosse natural, como se fizesse parte da natureza. O que achas que tudo isto faz com a tua mente? Não te preocupas com a tua mente?

E se alguém vier e te der uma régua, e essa régua tem só unidades impar para medição. E mesmo sabendo destas unidades impar, a sua irregularidade é rejeitada, e comentada como: " Está tudo OK, esta régua tem sido utilizada há séculos. Funciona perfeitamente. Não te preocupes com isso. É muito tarde para mudar alguma coisa". Então aí, fazes esta régua parte da tua vida, e usas a todo o tempo. Que tipo de realidade pensas que poderás criar com uma régua como esta?

Este é exactamente o mesmo caso que o calendário que usas, o gregoriano. Provavelmente nem sabes porque é que se chama calendário gregoriano.

O problema aqui é que quando tu aceitas tudo sem questionar, torna-se uma realidade nua e crua para ti, acabas por "empenar" a tua mente. O conceito de tempo que está guardado como uma relíquia neste tipo de calendário, para não mencionar o tipo de conceito de tempo que pensas que está a tick tack no teu relógio, tem um profundo efeito na tua mente. Não só a tu a mente como virtualmente todas as mentes de todos os humanos deste planeta. E se estes conceitos de tempo estão – errados?

Toda a raça humana poderá estar errada ou em erro acerca de alguma coisa? É um estranho pensamento, este, não é? Bem, sendo ou não um pensamento muito estranho, e se for verdade? Que tipo de realidade é criada por ti quando a tua mente está em erro com alguma coisa? De certeza que já ouviste o provérbio, tu és aquilo que pensas. Se uma pessoa usa um tipo de medidas que é desonesto, não achas que esta pessoa se tornará desonesta também? E o mundo criado por si, não será também desonesto?

Imagina, uma pessoa querendo ir a algum lado, mas não sabe que a sua bússola está com uma diferença de 2 graus. Quando decide embarcar, irá parar em algures menos o seu destino, não é? Mesmo assim, se alguém da tripulação decide fazer um comentário ao capitão que a sua bússola está com um defeito de 2 graus, o responsável pela viagem provavelmente grita dizendo: "Insubordinado! Estás a ter pensamentos traiçoeiros!" e depois lá vai o tripulante parar à prisão pela sua impudência. É precisamente o que acontece às pessoas que costumam questionar os dogmas, são muitas vezes assim tratadas! E no final, o navio continua velejando em erro. Não te parece problemático?

Pensa bem e examina a tua mente!

Sabemos que talvez até tenhas pensado na tua mente ou feito alguma prática de meditação. Sentado agora e observando a tua mente podes estar a aceitar estas ideias, que estou partilhando contigo, como mais outras e estar a dissolvê-las, e pensando "são só mais umas ideias. Na realidade absoluta, nada é real, todos os pensamentos são desprovidos de substância. Portanto, o que tudo isto importa?

E quando terminas a tua meditação e te levantes, e olhas para o teu relógio e apercebeste-te que já estás atrasado para o teu próximo encontro. De repente, neste momento, o teu coração começa a bater mais depressa, esquecendo completamente que a uns minutos atrás estavas num estado de contemplação, nirvana. Quem te está a vigiar – a tua mente ou o teu relógio?

Só estou a partilhar contigo este tipo de analogias e exemplos para perceberes quanto a tua mente é controlada pelo tipo de tempo em que vives. A letra da música do Bob Marley diz assim " Emancipate yourselves from mental slavery. None but ourselves can free our mind. Have no fear for atomic energy. Because none of them can stop the time." ( Emancipem-se da escravatura mental. Ninguém a não ser nós próprios podemos libertar a nossa mente. Não tenham medo da energia atómica. Porque ninguém deles pode fazer parar o tempo.)

Se pensas que estás livre, mas que ainda existe um dogma que ainda não examinaste, e mais ainda, ainda não está eliminado, como é que podes considerar livre? Mas se alguém te apontasse esse mesmo dogma, e ainda assim querias ser muito mais livre, não farias algo quanto a isso? Ou serias preguiçoso, e dirias que nada poderias fazer. Mas, e se houver alguma coisa que podes fazer? E se emancipando-te da escravatura mental significaria que terias o poder de parar o tempo, e talvez até parar com a energia atómica? Não irias querer este poder?