Stopping Time 07 Killing

 

Estás talvez a pensar, que tudo isto é fácil demais. Ou que é demasiadamente rídiculo. O Bob Marley era simplesmente um idealista, um sonhador. Nós nunca poderemos "parar o tempo". Talvez ainda não estejas convencido que o tempo realmente afecta a tua mente, e que existem diferentes tipos de tempo – o tempo natural e o tempo artificial – para o detrimento da tua mente e alma.

Bem, temos que apertar alguns botões. Já te deste conta de repente, que tens tempo nas tuas mãos? Acabaste o trabalho mais cedo, ou alguém cancelou uma reunião. Olhas para o relógio e pensas, "Tenho tempo para matar".

Para aí! O que queres dizer, " Tens tempo para matar". Queres mesmo assassinar o tempo? Oh, sabemos que é mesmo só uma "expressão de discurso", mas será, que percebemos mesmo o que estamos dizendo quando utilizamos expressões como, "I´ve got time to kill" (tenho tempo para matar", ou "Let´s kill some time?" (Vamos matar algum tempo). Não é apenas o que significa quando dizes isso, mas o que fazes quando estás a "matar o tempo". Pensa nisso. Sais para ires beber um copo? Jogas solitaire? Ou vais surfar na Internet?

Sim, estamos de volta ao tempo ser um acto espiritual. Normalmente quando dizes que tens "tempo para matar", queres mesmo expressar isso. Vais usar esse tempo "livre" para fazer tudo menos olhar para dentro, para a tua alma. Encontrarás uma maneira de divergir a tua atenção, para não teres que olhar para ti próprio. "Matar o tempo" está na mesma categoria que "espaço morto".

O "espaço morto" é aquele que quando estás ao vivo, ou em tempo de antena por exemplo e de repente não há anúncios, musica, ou alguma coisa que preencha esse espaço – só há espaço morto. É a pior coisa que pode acontecer na rádio ou na televisão. Mas o que é esse espaço morto? Um espaço em branco, como a quebra que existe no programa e de repente tudo fica vazio. E ainda pensa que quer matá-lo!

Espaço morto e tempo para matar – porque é que acontecem? À volta deste espaço morto só existe programas artificias. E onde achas que esse tempo para matar vai cair? Entre alguns pontos programados na tua agenda diária. E o que são esses pontos? Uma visita ao teu cliente? Uma reunião com o teu gestor bancário? Uma consulta médica? Agente de seguros? O carro para a oficina? Porque é que tens que ter um horário de trabalho de 8 horas que cumpres respeitosamente? Afinal, quem és tu, na realidade? Estás a representar para ti próprio, ou és apenas um pequeno encaixe, um dente de roda, num grande volante que se move em tandem, com muito menos mudanças, parte desta grande máquina chamada – civilização?

Não quero ser rude, mas ás vezes tens que pensar nisto tudo. Especialmente se tens uma alma e se pensas que também tens uma mente. Claro, que todas as outras pessoas parecem estar na mesma situação. Mas serve isto de desculpa, ou torna as coisas mais fáceis? Não. De maneira nenhuma. Significa somente que tens muita companhia, e como se costuma dizer, quanto mais melhor, e que assim podes esquecer tudo isto. Esquecer o quê? Esquecer este sentimento torturante que és apenas um encaixe, um dente de roda, de uma máquina, que nem é sequer feita por ti?

Então vejamos, estás na verdade matando o tempo porque não queres enfrentar o facto que é o tempo que te mata a ti, o tempo do relógio e o calendário irregular. Antes que comeces a pensar que estou a ser muito duro contigo, lembra-te, sou apenas a tua alma falando contigo, tentando explicar-te quantas coisas tens passado por cima e não tens prestado atenção. Lembras-te do que te disse antes? Não podes mais ignorar este assunto do tempo. Se te estás a sentir mal com tudo isto, desconfortável, é bom sinal, é porque estamos a chegar perto da verdade.

De facto, o tempo é tudo o que tens para trabalhar e brincar. É o teu meio de criação. Mas como é que encontras tão pouco tempo para ti? E quando encontras, queres matá-lo? Tudo o que te estou a tentar dizer, é que tu não possuis o teu próprio tempo, e que não interessa que mais alguém que tu conheças não possua também o seu tempo. Porque é que achas que isto é assim? E o que significa? E haverá alguma relação entre o facto que tu não possuis o teu tempo e o sentimento de impotência que sentes em face de tudo o que está acontecer no mundo de hoje?

Então, não tens a oportunidade todos os dias para realmente olhar para o teu tempo ou como é o tempo da tua via. A oportunidade está aqui agora. Quem sabe, quando virá novamente?

Ok. Vamos olhar para a tua vida. Como todas as pessoas na sociedade para quem este livro está sendo escrito, a tua vida é uma série de padrões. O básico nestes padrões é esta coisa de sete dias chamada semana, e esta semana é o mesmo padrão para mais ou menos todas as pessoas. Tem 5 dias úteis, de trabalho, e depois uma coisa chamada de fim-de-semana, para depois repetir-se novamente. De onde vem isto? Há quanto tempo isto tem sido assim? Antes de respondermos a esta questão vamos ver o que isto tudo significa.

"Blue Monday, how I hate blue Monday,", é como começa a velha canção do Fats Domino. Porquê? Claro, porque, é o primeiro dia de trabalho da semana.

O Fats Domino, devia ter uma ideia do que é o tempo estar a matar-nos, senão não tinha que ser "Blue Monday". Então, de segunda a sexta, para a maioria das pessoas empregadas, e também escolas e serviços públicos e de governo, é a semana de trabalho. E depois vem então o Sábado e o Domingo, o fim-de-semana.

A semana de trabalho é regulada pelo relógio, que é também referido como das 9 às 5. E portanto, o sábado e o domingo deveriam ser tempo para a alma. Mas será que é? Bem, talvez um pouco. Há a missa ao domingo, uma hora talvez para a alma. Ou talvez a sinagoga ao sábado. Mas o que vem a ser realmente estes "fim-de-semana"? É acerca de matar o tempo. É desporto e entretenimento. Rugby, basketball e baseball. "Big Time". Se está no resto do mundo, é futebol. "Very big time". Se não fosse por causa da televisão, isto não teria sido tão grande. Mas tudo vem à mão. Televisão, fim-de-semana, e grande tempo de desportos. Faz tudo parte da mesma coisa.

Eu sei, que tu, talvez não faças isto. Talvez faças outra coisa qualquer. Vais fazer sky ou windsurf. Talvez vás ao cinema, ou dançar, ou talvez então ir jogar um pouco ao casino. Ou vês o discovery channel. Ou um workshop de auto-desenvolvimento. Não interessa, porque, novamente será segunda-feira e toda aquela sequência se repete.

A questão aqui é que todo o teu show, o tempo todo da tua vida, reduz-se a este padrão de semana. E está a matar-te. Estás simplesmente a pôr a tua alma num colete-de-forças durante 7 dias. Quando a alma sufoca, tu ficas ainda mais aborrecido e com um necessidade de estares mais distraído com alguma coisa.

Estás a ver o que está a acontecer? Nem sequer estás bem vivo. Porque é a tua alma que realmente vive, e se não começares a dar à tua alma o tempo que ela precisa, então o tempo está a matar-te, o tempo do relógio e do calendário que está implantado na tua mente. Mas estás agora a aperceber-te disso e isso é o grande primeiro passo. Podes agora dizer " Eu admito que não tive qualquer poder sobre todo o tempo que cegamente aceitei durante a minha vida."

Parabéns! Este é o primeiro passo para ganhar poder no tempo. Não temos que ficar desamparados quanto a isto. Podemos fazer algo – agora!