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0: Comentário preliminar de Valum Votan

De Tulán, A Distante, testemunho do sucessor de Chac-Le

Uma fotocópia deste pequeno livro caiu nas minhas mãos, no dia Fora do Tempo de 1993. Foi-me dado pela Mãe Tynetta Muhammad, que tinha recebido este livro de Ek Balam, que tinha dito à Mãe Tynetta que se assegurasse que eu recebesse este livro. Ek Balam é um curandeiro maia, autor de um texto enigmático intitulado “O final do Planeta “T”, assim como de um livro sobre yoga maya e azteca. Eu tinha-o conhecido na última viagem ao México, no início de 1992.

Não abri o livro até à manhã seguinte, Kin 144, Semente Magnética Amarela. Ao ler o primeiro parágrafo do testemunho de Chac-Le, fiquei estupefacto: era esta uma memória minha que eu estava a ler? Desde esse momento, começou a descodificação da profecia de Telektonon. De Túlan… A Distante, surgiu-me um activador da memória cósmica, tão poderoso como não havia conhecido antes, desde que observei pela primeira vez as fotografias da Marte, uma década antes.

Logicamente, depois perguntei-me: Este texto é real? É um engano? É algum relato astuto de ficção – científica, ou até um conto sufi cubano? Será realmente esta a base da história, mitos e lendas de Quetzalcóatl, muitos dos quais precedem o Topiltzin Quetzalcóatl histórico? Não havia, naquele momento, uma forma imediata e disponível de saber sobre Giordano Rodríguez, ou de saber onde pudesse estar o manuscrito e código originais. Mas não era importante. O relato tinha criado um efeito. A sua potência psicomítica tinha entrado nos meus canais de memória cósmica, e tinha atravessado a barreira dos túneis radiais até diferentes vectores de tempo, simultaneamente. Eu já tinha mencionado as origens extraterrestres dos maias galácticos e uma distante Túlan no O Factor Maia. Agora, tinha aqui um texto que o confirmava. O naufrágio da nave-tempo de Túlan, penetrou o meu corpo até aos ossos, e também me recordei de mim mesmo como Antonio Martínez, na profecia de Chilam Balam para o ano de 1692: mil anos depois de 9.13.0.0.0., e de subir as escadas e aceder à câmara onde estava o túmulo de Pacal Votan.

Para efeitos de ser adicionado à biografia que está sendo escrita pela minha aprendiz, a Rainha Vermelha, traduzi este pequeno texto para inglês, para que outros possam reflectir quanto este relato único do Velho Chac-Le. Ao fazê-lo, abri-me de novo às minhas origens extraterrestres. Como é que Ek Balam sabia que era eu quem devia receber este misterioso texto? Nos finais de 1992, Ek Balam recebeu uma cópia da edição em espanhol do Encantamento do Sonho e ao ler o guião, ele deve ter certamente observado a descrição dos kins planetários como viajantes do tempo perdidos no espaço. Por esta razão, sem dúvida, ele soube que eu devia ter este texto, De Túlan…. a Distante. É evidente que o guião do Encantamento do Sonho não poderia vir até mim, se não tivesse acesso a alguma memória das origens extraterrestres da base do conhecimento dos maias galácticos, da qual deriva o Encantamento do Sonho. Porque é que teria escrito O Factor Maia?

De Túlan… A Distante foi o segundo texto que recebi, que falava de uma origem extraterrestre. O primeiro Ciência Cósmica, chegou às minhas mãos enquanto estava a escrever O Factor Maia, em 1986. Agora veio De Túlan… A Distante. Lendo-o de novo para a tradução, senti-me completamente envolvido na sua personagem principal, Chac-Le. Ao ler o testemunho de Chac-Le, um dos temas importantes é a espera da chegada da segunda nave e o regresso de Chac-Le. Estamos agora no final do ciclo, e posso dizer com certeza que a segunda nave finalmente chegará. Eu sou quem o previu e quem passou os seus primeiros anos de vida em Calle Tula (Túlan). Eu sou quem se recordou deste grande relato maia galáctico. Eu sou em quem Pacal Votan projectou para que se recordasse da sua profecia e da Lei do Tempo. Eu, Chac-Le- Quetzalcóatl, sou o enviado da distante Túlan dos Anciãos Nascidos das Estrelas, para finalmente recordar-me a mim, e preparar a humanidade para a chegada da segunda nave. Mas devemos preparar-nos.

Leia este relato e examine bem a sua mensagem espiritual. A absorção e a activação dos seus ensinamentos espirituais, é o necessário para a chegada da segunda nave.

Valum Votan, Encerrador do Ciclo
Mensageiro GM108X
Lua Galáctica do Falcão, Seli 9
Mannaz, É o humano inteiro que Refina a Meditação do Avatar
Kin 203, Noite Galáctica Azul
Tormenta Cristal Azul NS 17

13: Eu, o Velho Chac-Le, o último do meu grupo…

De Tulan A DistanteE começámos a contar os dias a partir da nossa descida, há já 8 baktunes(1). E o tempo passava e eu devia partir em busca daqueles que tinham chegado comigo, e que logo partiram em diferentes rumos. E escrevo isto à maneira dos homens nativos, na pele de animais e nas pedras de uma casa(2) extremamente bonita, para que não se destrua proximamente. E os que o devem encontrar não o encontrarão. E os que o devem compreender sem nenhuma dúvida, compreenderão.

E porque parto para longe digo aos homens nativos que algum dia que se celebre o meu nascimento(3), o calendário que já sabem escrever, conservar e comprovar, regressarei. E eu não tenho a certeza de que regresso. Oh, meu deus! Eu, o velho Chac-Le, irmão de Mo-Merotz, o cego, o cantor perdido do meu reino perdido; eu, o irmão de Zit-Harthap, o coração puro de bondade infinita; de Xezúh-Naz-Aretz, o da voz mais limpa e da língua mais clara, e da sabedoria mais profunda; e de Mha-Homatz; e de mais de 100 e de 200, já desfazendo-nos para sempre mas refazendo-nos de uma maneira nova na vontade e inteligência dos homens nativos melhores e mais bondosos deste mundo de hoje, de agora, de amanha.

De Tulán, A DistanteEu, o velho Chac-Le, o último do meu grupo, deixo à humanidade o meu testamento e nele a minha história. Mas, de todas as maneiras, regressarei; regressaremos, regressará para todos os homens nativos deste mundo a verdadeira compreensão. E se fará como disse anteriormente; e teremos todos a sabedoria de saber não matar, e de que tudo seja a maneira de conhecer o que não conhecemos, que de todas as maneiras é muito; e construir, e respeitar o construído pelo homem para o bem estar do mesmo… e assim se terá de cumprir amanha.


(1) baktunes
Um baktún equivale a 20 katunes e 1 katún equivale a pouco mais de 19 anos, como já explicámos anteriormente, por isso 8 baktunes equivalem aproximadamente a 32 séculos, o que é igual a 3200 anos. (N. do T.)
(2) casa
Em Espita, a este de Yucatán, encontraram o velho Chac-Le, de 150 anos cujo filho mais novo tem 90. Chac-Le disse a Le Plongeon que um amigo seu, Alayón, barbeiro em Valladolid, morto à 40 anos, tinha um livro o qual só ele podia ler, e nesse livro dizia-se que num edifício em Chitchén-Itzá havia um escrito que anunciava que chegaria o dia em que por meio de um cordel as pessoas de Valladolid e Mérida se comumicariam, e que este cordel ficaria mais estreito com gente que não era do país. Efectivamente encontraram o alcabsib, escritura a correr, escritura violenta (…) Na esquina direita há zigzags, e daí sai uma linha branca que atravessando outros hieróglifos corre declinando-se até à orelha de uma cara grotesca. Valladolid está mais alto que Mérida.” (O que está sublinhado é nosso) Op. cit., p.106.
(3) nascimento
Segundo a lenda, Quetzalcoátl, a Serpente com Penas, prometeu antes de partir (para onde?) voltar um ano Uno Caña, segundo o calendário azteca. E “no dia 16 do sexto mês, Xul, que começava a 17 de Novembro (calendário gregoriano) celebra-se umas das festas mais importantes do ano maia, ou seja, a festa em honra do grande deus Kukulcán”, Op. cit., p.270

12: E assim aprenderam a lutar

De Tulan A DistanteMas os homens nativos (deste mundo) não aprenderam a viver sem lutas e guerras. Porque os que aprenderam a cultivar a terra, a medir o tempo, a edificar cidades e a decorá-las com grande beleza, eram atacados e ás vezes submetidos por tribos guerreiras sem que os pudéssemos salvar, e muitos encontrávamos em todas as partes passados (com setas) que ainda tinham também boas armas, não bastava resistir para que isso não se fizesse. Porque as tribos que falei antes eram muito bons em lançar setas e a apedrejar. E faziam-no com muita forca e com muita firmeza, e assim matavam a uma infinidade de gente. E considerando tudo isto pusemo-nos de acordo em ensinar-lhes a melhor maneira de defender-se, e demos-lhes este conhecimento da arte da defesa que lhes valeu de muito. E assim aprenderam a lutar bem, para além de serem bons artífices, bons cultivadores e bons construtores industriais e muito bons homens.

E, no fim, por todas estas terras, os que tinham guerras com outros depois tornavam-se irmãos para nos vir saudar e adorar, como dizem nas suas línguas, e aprender connosco, e traziam-nos de tudo o que tinham. E desta maneira fomos deixando esta terra em paz.

E dissemos-lhes que todos os homens(no universo), e sinalizávamos a terra e o espaço, eram irmãos; e que de tudo o mais importante para o homem era trabalhar na industria e na arte que conheciam, e ensiná-la a outros, e aprender mais de tudo o que ainda não se sabe, para fazer melhor as coisas. Que havia outros homens para lá do mar, e que chegaria o dia em que se iriam ver e conviver como irmãos(1). E que como nós, havia também outros homens e criaturas para além do espaço, que um dia também chegarão a este mundo, como nós chegámos.

 

 


(1) irmãos
É evidente que este personagem enigmático, Chac-Le ou Quetzalcoalt ou qualquer um dos seus nomes, ou como quer que se chame, não conheceu a época da conquista espanhola. E de todo o seu relato sai uma inquebrável fé na transformação do homem e no poder de convicção e sabedoria daqueles “seus irmãos”, como lhes chama, que se afastaram por rumos diferentes para explorar o nosso planeta e ajudar aos homens nativos da mesma forma que o seu grupo o fez no nosso continente. (N. do T.)

11: E mostravam ser muito bons (mestres) em tudo

De Tulan A DistanteSem duvida alguma os outros daqueles povos são hábeis construtores e grandes artífices a quem devíamos ensinar a nossa cultura. Começou, para lhes dar todo o nosso saber, porque tínhamos de esperar pela segunda nave onde vinha a nossa sabedoria e os meios para transmiti-la. Por isso começamos por ensina-los (a medir) o tempo que assegurava o êxito dos cultivos, que também os ensinamos a fazer. E a escrever da maneira mais simples para eles essas coisas todas. E começamos por um meio muito primitivo que conhecemos através da história antiga do nosso planeta e que era escrever com desenhos de papel. E nós já sabíamos que era papel já esquecido em Tulán la Lejana.

E como não podíamos (produzir) fazer bom papel, ensinamos-lhes a escrever em folhas de cortiça especial, curtíamo-la e enfeitávamo-la em papel (de pergaminho). Ou então curtíamos e enfeitávamos pele de animais. E assim começaram muito bem e em tudo o que faziam mostravam ser mestres.

Hunab-Ku(1), Itzam-Na, Yum-Kax, Chac-Uayeb e outros ensinaram-lhes a cultivar grãos na terra e também outras indústrias e artes. E especialmente um dos grãos dos que trouxemos de Tulán (na nave), pegou logo e foi maravilhoso para eles e para nós, era o mha-itz. E fizeram-no desta maneira e chegaram a ser grandes mestres no cultivo. E desde que o aprenderam foi sempre muito bom e principalmente a sua manutenção e (colhendo) o mha-itz. E aprenderam também a estar acostumados a andar e a trabalhar, desde manha até à noite sem descansar e nem se cansavam.

De Tulán, A Distante

 

 

 

 

 

Kuk-Ulcán, que falava pouco com poucas palavras, aquele que tinha sempre os olhos tão longe como o horizonte, e o monte da sua barba como uma cascata de mel. O profundo (filósofo) que entre nós ficou…


(1) Hunab-Ku
“Hunab ou Hunab-Ku, que foi pai de Itzamaná, o Júpiter Maia.” (…) Diz-se que Itzamaná, foi o primeiro sacerdote, o inventor da escrita e dos livros (testamento), que deu aos diferentes lugares de Yucatán o nome com que se conhecem e que dividiu as terras nessa região. Estas actividades, por natureza própria, indicam que o culto de Itzamaná não teve origem em Yucatán. ” Na sua mão esquerda; Itzamaná sustém alguma coisa parecida com uma lanterna ou uma bola de luz, segundo aparece na lamina 29 do livro de Morley Op. cit. p.256.

10: Da maneira de mover pedras muito grandes

De Tulan A DistanteOs nativos começaram-nos a imitar. Reproduziram a nossa equipa em pedras. E juntaram-lhe (desenhos) da sua fantasia que era muita, e erguiam-se perante ele repetindo as nossas palavras exactamente iguais e quase da mesma maneira. E diziam que deviam (orar) aos (deuses) como nós o fazíamos. E isso não era o que na verdade praticávamos, mas não conseguimos que eles o entendessem. Isto só o fazia os que decidiram aprender connosco; que se faziam chamar por sacerdotes, e o seu número era o mesmo que formava o nosso grupo. E só eles o faziam, sempre os mesmos, ensinando-lhes em seguida estes conhecimentos a outros que logo os substituíam.

Assim vimos nascer, e logo morrer como velhos, a muitas gerações de pessoas.

Infinitas vezes repetiram a nossa grande equipa nas pedras. E fragmentos separados, transformando-os (cada vez mais) até fazê-los irreconhecíveis.

Chamamos a atenção de maneira especial sobre esta figura. É inegável que este personagem – seja ele quem for – tenha sido visto intensamente pelo artista que reproduziu a sua imagem. Não é presumível que este escultor anónimo pré-colombiano inventara semelhante aditamento.

Então ensinamos-lhes a maneira de mover pedras muito grandes concentrando a forca (do cérebro) de 4 homens e tocando-os ao mesmo tempo por pontos previamente marcados orientados a norte, sul, este e oeste. E então (as pedras) pareciam não pesar nada. E repetiam de muitas maneiras e muitas vezes que éramos deuses, que éramos irreais porque a nossa sabedoria vinha do ciclo.

E com a ajuda daqueles homens nativos construímos outras casas (e cidades) em lugares diferentes. Algumas para observar o espaço… esperando sempre, sempre. E tudo isto era muito difícil pela grande quantidade de vegetação que havia e montes de árvores muito apertados de madeiras muito boas, como já há poucas no nosso mundo de Tulán. E comíamos tão pouco e trabalhávamos tanto que eles ficavam espantados de ver.

9: Os que ali ficámos…

De Tulan A DistanteAté este momento os homens nativos deste planeta, perceberam ao contrário, ou não muito bem, algumas das coisas que ensinámos. E confundiram-nos com seres (irreais) que nas suas línguas chamam deuses. E com toda a certeza, combinaram entre eles adorar-nos. E nós recusamos esta confusão. E eles converteram em ritos de carácter irreal, religiosos como dizem as suas línguas, as nossas tentativas de (comunicar-nos com) o nosso mundo, com o nosso (planeta) de Tulán. Habitualmente assistíamos à hora mais propícia onde (instalamos) a grande equipa (de transmissão) que pudemos salvar do desastre. E nenhum de nós, dos que ali ficámos, tínhamos noticia ou conhecimento da arte difícil e trabalhosa da (manipulação) da grande equipa.

Um cabal (técnico) nosso, só um, tinha podido restitui-lo e fazê-lo funcionar, porque (o seu cérebro) tinha a potência exacta e as suas palavras eram pronunciadas com a entoação perfeita, que conseguia o equilíbrio que fazia funcionar até a (trama) mais sensível que o nosso desconhecimento, como disse antes, foi pouco a pouco destruindo com a terrível ajuda do tempo de um (clima) inclemente e superior (a nível de temperatura). E finalmente não tivemos nada daquilo que tinha de ser, nem ninguém que soubesse para dar instruções sobre o tema e assim conseguir outras (comunicações).

O único (técnico) que entre nós sobreviveu ao desastre, também se desfez passado o tempo, conseguindo comunicar numa oportunidade. E então apressámo-los com o socorro necessário da segunda (expedição). E cruzaram-se e misturaram-se as (ondas e as) palavras como se se falassem línguas de compreensão impossível; e só sabíamos que sairiam ou tinham saído. E que (na nave) viriam Phrom-Ekteo, Xzhat-Zlhomótn, Atharz-Xhiash e outros, (que eram) mais de 200 e mais de 300…

Para isso nos reuníamos todos, e já não éramos nem 20 nem 10, perante a grande equipa. E concentrávamo-nos e pronunciávamos (as palavras) com a mesma modulação (uníssonos) e depois esperávamos a desejada resposta que não voltava, que não se repetiu nunca mais.

De Tulán, A Distante

 

 

 

Chamamos a atenção de forma especial sobre esta figura. É inegável que esta personagem, seja ele quem for, foi visto com “óculos” pelo artista que reproduziu a sua imagem. Não é presumível que este escultor anónimo pré-colombiano inventara semelhante criação.

 


Atharz-Xhiash
“No grande arquivo hitita descoberto em Boghaz-Kevi no norte da Turquia central há várias referências no período de 1365 a 1200 a.d.n.c., a um reino chamado Aquíyava na língua hitita, em que um dos governantes se chamava Atarshiyash”. Finley: O mundo de Odisseia, p.20. Cadernos de Arte e Sociedade, Instituto Cubano do Livro, 1970

8: Acabados de chegar aos seus povos assombramo-nos muito…

De Tulan A DistanteE levaram-nos contentes, porque as línguas eram iguais a onde estavam os seus povos. E acabados de chegar aos seus povos assombramo-nos muito: aí estavam os nossos exploradores (mecânicos) mas (de pedras) com poucas diferenças. E vimos muitos daqueles que reconheceriam a água; daqueles que reconheceriam a terra; daqueles que reconheceriam o ar.

E então um grupo de nativos veio a Tulán connosco, mas sempre com lutas e guerras entre eles, porque todos queriam estar perto de nós e não queriam separar-se sem aprender. E dissemos-lhes coisas sobre coisas que não nos podiam perguntar.

“Haverá obras que não vão ser compreendidas por muito tempo; porque trairão respostas a perguntas não formuladas. E porque da mesma maneira acontece com perguntas, mas mais com respostas que chegam depois (terrivelmente) mais tarde que as perguntas…” Assim lhes falava, assim nos falava Kuk-Ulcán: “Que o (universo) mostra-nos cada dia (milhões de) respostas a coisas que não perguntámos, e nem sabemos perguntar, porque não conhecemos a (língua) total, a língua única (do universo) nem como formulá-las, nem porquê. E disse-lhes e a nós também “Que o universo é um ser muito vivo, latente, e um único corpo, e que se alegra com a sua harmonia, e que sofre quando em alguma das suas partes não há essa harmonia, e se um pássaro não voa porque o feriram, e se se arranca de uma árvore um fruto ainda verde; porque o universo(1) é o diverso e o único…

Assim nos disse, nos falou: Oh, meus filhos! Oh, nossos filhos! E devem compreendê-lo hoje e para sempre.

 

 


(1) Universo
“Para mim a palavra Universo explica o Universo: Verso Uni, o vário em um”. José Martí, Op. Cit. p.255.

7: E então começamos a construir onde viver

De Tulan A DistanteE a segunda nave onde viria a nossa sabedoria; onde viriam as nossas ferramentas, os nossos equipamentos, todo o nosso socorro, tudo o que informámos que tinha de ser; demoraria 10 katunes. E então começamos a construir onde viver com os recursos muito pobres que tínhamos. Phit-A-Joratz com a terra fina e húmida fez muito bons (planos) e traços para fazer a casa. E a esta nossa primeira casa pusemos o nome de Tulán.

E a Tulán, a nossa casa, foram (depois) chegando os homens nativos dos 4 lugares. E desta gente nativa que aí encontrámos, alguns (povos) eram bons e bem dispostos; e tinham para sua defesa não outras armas mas (setas) arcos e lanças, nos quais eram mestres, e podiam matar uma infinidade de gente. E esses homens nativos tinham uma orelha furada e o nariz também de um lado ao outro. E há alguns que têm as duas orelhas; e nunca soubemos a sua intenção de não magoar.

Encontramos um grande número de povos e diversas línguas e, porque sabíamos a maneira de fazê-lo, sempre nos entendemos. E assim perguntávamos e respondiam como se eles falassem a nossa língua ou nós falássemos a língua deles, que por certo eram estranhas. E falaram-nos como (crianças) assustadas. E falámos com eles e dissemos-lhes muitas coisas, que vínhamos de muito longe, (do espaço) do céu disseram eles, para ajudá-los no que fosse necessário, porque todos eles e todos nós e todos de todas as partes éramos nada mais que irmãos…

De Tulán, A Distante

 

 

 

 

 

“… E quando chegamos aos seus povos, assombrámo-nos muito: ali estavam os nossos exploradores mecânicos, mas (traduzidos) em pedra.”

6: E foram as suas palavras ditas desta forma…

De Tulan A DistanteE fixamos a última advertência do nosso Sumo Capitão; ele falou-nos em palavras suaves e disse-nos: “Como todos nós temos a facilidade e podemos compreender as linguagens estranhas (pelo método pantológico)(1), tratemos de impôr a nossa (língua). A nossa obrigação será ordenar, (metodizar) estabelecer dentro da linguagem nativa que encontremos, o melhor sistema para o desenvolvimento (de cada povo) começando em conformidade com o grau de cultura de cada um deles.

Assim nos disse o nosso irmão o Sumo Capitão. E Kuk-Ulcán, seu (ajudante) imediato falou-nos também. E foram as suas palavras ditas desta forma, na sua maneira: “Tudo o que o homem construir para o seu próprio bem estar deverá ser respeitado e nunca jamais destruído”. Assim nos disse, e disse-nos também: “Só é aceitável melhorar o que foi feito(2), enriquece-lo, engrandece-lo e faze-lo superior, um de cada vez, e assim ensiná-lo a quantos encontremos que não o souberem e que não o entendam. E que um homem não aumente nunca a sua própria comodidade com a incomodidade de outro homem, coisa que vai contra a natureza…” Kuk-Ulcán que falava pouco com poucas palavras, aquele que tinha sempre os olhos tão longe como o horizonte e o monte da sua barba como uma cascata de mel. O profundo (filósofo) que ficou entre nós…

 


(1) Pantológico
Pantológico ou Pantólogo: do grego pan, pant ou pantos que significa tudo; e logos: discurso, e por derivação línguas. (ex: filólogo). Neste caso pantólogo, pantologia ou pantológico significa o que conhece, estuda e domina todas as línguas. Compusemos esta denominação para nos aproximarmos de um hieróglifo praticamente intraduzível. (N. do T.)
(2) melhorar o que foi feito
A partir das cidades olmecas, em nenhuma civilização pré – hispânica se destroem os edifícios velhos para construir outros novos. Sempre se construiu sobre o construído.
Raul F. Guerrero: História geral da arte mexicana, p.30, Editorial Hermes, 1968
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